25 de maio de 2016

RESENHA: Estudo Independente - Joelle Charbonneau (O Teste #2)

Estudo Independente - Joelle Charbonneau


Tão bom quanto o esperado. No segundo livro da trilogia, a autora nos mostra um enredo com uma tensão política muito mais intensa que no anterior. Os personagens que já conhecíamos mantém sua essência  mas é perceptível a passagem de tempo.

Temos algumas cenas típicas de distopias enquanto acompanhamos a chegada da Cia à Universidade. Mais uma vez a frase da capa é um resumo perfeito do cerne da questão toda. Falhar não é uma opção. E em torno desta premissa é que toda a discussão acontece.

Malencia está sendo claramente perseguida.Os responsáveis pelo teste de admissão não escondem que estão de olho nela e se esforçam para vê-la falhar. O perigo que antes era tão evidente, agora se esconde em rostos familiares e ações maquiadas. Ninguém é o que parece e o que deveria ser simples, como quem é seu aliado e quem não é, se torna uma tarefa hercúlea.

Adorei como nós vamos sendo levados e conhecemos melhor esse país e como ele se tornou o que é sem ser maçante. Não tem cara de material didático tudo é exposto de forma natural. Os novos personagens contribuem para isso. Temos novos vilões, alguns em sua roupagem clássica e outros tão bem disfarçados que exigiram atenção para serem identificados antes do tempo.

Das novas adições os que mais me chamaram a atenção foram Ian, Raffe e Enzo. Ian completa o triângulo amoroso não intencional com Cia e Tomas. Não sei se foi proposital, mas ele parece ser bem mais interessante que o conterrâneo da protagonista. Raffe me conquistou desde o início, apesar de todos os motivos para desconfiar dele, eu não consigo. Ele me parece ser mais honesto que Tomas. Este aliás me deixou mais encucada que antes. Não gosto dele e acredito que ele esconde muita coisa. Enzo é caladão e observador. Ele parece estar seguindo exatamente o conselho do pai de Malencia. Não confia em ninguém e deixa isso claro. Mas parece ser uma pessoa íntegra.

Há mais mortes. Mesmo sendo um texto muito mais político, é bem intenso. Há os partidos bem delineados, quem apoia quem, assim como na vida real, há aqueles que só pensam em enriquecer, outros que querem a manutenção de seus próprios status, a população insatisfeita mas que acredita no governo, os que querem depor a presidente, etc. Bem como vemos em qualquer "democracia" do séc. XXI. 

Enfim, é uma narrativa intensa, tensa, inteligente. Me fez pensar. Consegui me desligar dos assuntos aqui "de fora", mas sem alienar, não é exatamente relaxante. O cérebro funciona o tempo todo. Conforme os problemas aparecem, instintivamente você começa a delinear possíveis soluções. Já quero o livro 3. Este termina numa tensão e com tantas incertezas acerca do futuro que não ler não é uma opção.


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