3 de março de 2016

RESENHA: Dançando Sobre Cacos de Vidro - Ka Hancock

Dançando Sobre Cacos de Vidro -  Ka Hancock

Pesado. Incrivelmente lindo, mas não é uma leitura fácil e reconfortante. Ao contrário, tira o chão do leitor. Você pode nunca ter passado pelas situações descritas, ou talvez não na intensidade que a autora deu à história, mas vai sentir na pele.

Foi o livro capaz de me tirar do ritmo lento em que estava de quase que menos de um livro por mês. Não achei que me grudaria tanto nas páginas, mas foi inevitável. Normalmente eu tento não explanar tanto o enredo nas resenhas, mas tudo nesse livro é importante. Não tem meio termo.

O casal que nos faz dançar sobre cacos de vidro é Lucille e Michael, ou Lucy e Mickey. Os apelidos carinhosos e a maneira como eles se amam intensamente e verdadeiramente acabam sendo a única coisa leve da narrativa. Ka Hancock desenvolveu esses dois e os personagens coadjuvantes de maneira tão completa e complexa que nada é supérfluo. Fora os dois, amei Priss.

O drama de quem vive com a sombra do câncer hereditário e a balança emocional que as doenças psiquiátricas, no caso a bipolaridade, causam numa pessoa já são sozinhos assuntos e condições capazes de paralisar qualquer um. Ao juntar um casal com essas características, é uma bomba-relógio. Confesso que por alguns capítulos eu imaginei que eles teriam um caminho árduo mas que no final as coisas se acertariam. Mas não é o caso. Imagine tudo o que pode dar errado.. não é suficiente para descrever o que acontece por aqui.

Sorri em vários momentos, ri em outros, chorei, quis bater em quase todos os personagens e depois abraçá-los na mesma intensidade, passei pelos cinco estágios do luto fazendo essa leitura. Uma experiência rica de emoções e edificante. Só não sei se fico preocupada por reconhecer 90% dos medicamentos e saber para que servem antes mesmo de ler a explicação. Esse é daqueles livros que ao terminar você quer achar alguém para conversar sobre. 

Uma das características mais interessantes para mim, foi a maneira como a autora construiu a narrativa. Tudo em 1ª pessoa, mas ora com Lucy, ora com Mickey e o presente e o passado se intercalam sem haver confusão, mas uma rede muito bem tecida e pensada.

Muito obrigada a Editora Arqueiro por ter trazido esse livro para o Brasil e por ter disponibilizado para nós do Livro Viajante do skoob. 


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