29 de março de 2016

RESENHA: As Garotas da Fábrica - Leslie T. Chang

As Garotas da Fábrica - Leslie T. Chang

A princípio era para eu ter terminado este livro para a Maratona de Pascoa, mas não deu tempo e foi uma leitura que valeu a pena ser feita com calma. Mesmo que desse para ler muitas páginas seguidas, me fiz parar para poder assimilar o que foi lido. 

Definitivamente não é uma leitura a ser feita apenas por prazer. É uma compilação primorosa do retrato econômico da China durante o século XX e agora XXI. Quando li a sinopse logo que lançou fiquei com a impressão de que seria uma narrativa envolvendo apenas as vidas das chinesas que trabalham nas fábricas. Mas vai bem além disso, 

Trata dessas meninas, das vidas delas tanto dentro como fora da fábrica, fala da família da autora, e portanto há uma boa dose de história. Seu avô foi um migrante como as meninas, foi estudar nos Estados Unidos e depois voltou para a China. Mas sua trajetória pessoal e seus objetivos e foco era totalmente diferente e ver essa mudança no pensamento dos jovens num espaço de 100 anos foi incrível e educativo.

Durante a leitura dá para se ter uma visão da vida de várias gerações em diferentes etapas de suas vidas e como a visão de "comunidade" de cada indivíduo interfere em como toda a nação avança. O nacionalismo típico de países com uma visão politica esquerdista existe mas ao mesmo tempo é sensível como a maioria prefere (conscientemente ou não) não pensar no sofrimento que passaram.

Uma das partes que mais me prenderam a atenção e me surpreenderam foi quando ela explica como se dá as relações de trabalho. Como não importa em que esfera a pessoa esteja inserida, a visão é a mesma. Eu tinha a impressão, pelos filmes, livros, e outras coisas a que tive acesso de que a população em geral era honesta e que houvesse em certo grau uma insatisfação geral com as condições de trabalho. Mas na verdade não é tão intenso assim. Há corrupção e muita. Tanto entre patrões como entre empregados. 

As meninas do interior, não são nada bobas. Dariam volta em muita menina da cidade aqui do ocidente. São determinadas, sabem o que querem e não medem esforços para obter isso. Desde o início sabem que não podem contar com ninguém mais além delas mesmas e que independente da fábrica que trabalham, sejam as 'boas' ou as 'ruins', ninguém vai ter a vida facilitada. 

Ao fim da leitura me vi tendo grande admiração por algumas personagens reais desse livro, mas duas delas apareceram bem pouco e ainda assim foram as que mais me impressionaram. A avó e uma das tias, Irene, da autora. A avó de Chang, percebi eu, foi uma mulher de fibra, coragem, segura de si e que não se deixava abater. Criou 5 filhos sozinha, só isso já é razão para minha admiração, mas também em meio a uma China inconstante soube o que fazer e não titubeou em nenhum segundo para garantir a segurança e o futuro de cada um de seus filhos. 

Impressionante.

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