14 de fevereiro de 2016

RESENHA: Relato de um Naufrago - Gabriel García Márquez

Relato de um Naufrago - Gabriel García Márquez 

Bela leitura. Apesar de levar a assinatura de Márquez, logo no início é possível identificar que o relato é de outra pessoa. Ele mesmo diz isso na introdução, quando fala que o marinheiro Velasco ao narrar sua história demonstrou grande aptidão literária e talento nato com as palavras. Isso não diminui em nada o grande valor deste relato.

A narrativa começa com ele ainda nos Estados Unidos a espera do término do conserto do Caldas, o destroyer que o transformou em herói e em vilão em pouco tempo. Há um vislumbre dos outros marinheiros e daqueles que faziam parte de sua rotina, e que tão rapidamente se tornam apenas lembranças.

A partir daí temos uma narrativa belamente escrita (ou ditada) de como o ser humano é capaz de sobreviver na adversidade e mais ainda como pequenas decisões, mesmo que feitas na pressa e sem reflexão podem salvar ou acabar com a sua vida. Luis Alexandre Velasco passou 10 dias à deriva e pode nos contar sua história por conta de um misto de sorte, preparo tanto físico quanto mental, e força de vontade. 

Sorte por ter tomado as decisões corretas nas horas mais incertas sem poder pensar muito, apenas seguir o instinto, sabendo que poderia dar certo ou dar errado. Preparo físico pois alguém sem a saúde dele não teria durado tanto,mental pois em todo o relato vemos o quanto apesar da debilidade física crescente ele mostra uma lucidez para poucos. Força de vontade pois a cada momento em que o desânimo começava a se instaurar ele achava algo novo para se segurar e achava energias de onde achava que não tinha.

Algumas passagens são tensas, preocupantes e sempre cheias de ação. Ação essa que se passa o tempo quase todo na cabeça dele, sobreviver era o mais importante, portanto não há um momento em que ele não pare de analisar, refletir, calcular, pensar a frente. É preciso muito autocontrole para se manter são quando se tem tubarões a espreita todos os dias.

Esse relato causou a perda de seu posto na marinha e o exílio de G. G. Márquez. Mais uma prova de como a verdade incomoda um governo fraco.

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