18 de setembro de 2015

RESENHA: The Other Queen - Philippa Gregory (Plantagenet & Tudors #14)

The Other Queen - Philippa Gregory


'Não confie em ninguém, nem em sua própria sombra.'

Para variar a autora conseguiu me deixar enlouquecida a ponto de respirar a Era Elisabetana enquanto eu não terminasse a leitura. Nada como uma madrugada analisando as linhagens para ver quem é quem, e o que cada um fez durante os anos não narrados no romance.

Mary, rainha dos escoceses, é retratada aqui como uma mulher egocêntrica, egoísta, tratante, ardilosa, inconsequente é com um complexo de D'us para deixar Henry VIII com inveja de sua sobrinha-neta. Bem diferente da jovem Mary retratada na série Reign. Os outros dois personagens que companhamos através dos anos são George e Bess Shrewsbury, que se tornam os responsáveis por manter a outra rainha em segurança no cativeiro. 

Bess é uma mulher de 40 anos que nasceu pobre e encontrou seu caminho para a fortuna em seu segundo casamento, seu marido da vez ensinou a ela como administrar, organizar e fazer crescer seus bens e fortuna. Depois dele ela ainda casou com mais um que também faleceu e então o Earl Shrewsbury, o primeiro marido dela que não fizera fortuna e sim herdou. Ela tem como objetivo de vida aumentar sua riqueza (em parte composta por itens roubados de propriedades católicas) e assegurar que seus filhos e filhas tem um futuro sem preocupações.

Já o lorde Shrewsbury é o típico rico sem noção. Tão acostumado a gastar que não se importa nem sabe como lidar com a parte desagradável de ter uma fortuna: fazer contas administrar os bens para mantê-los. Vê na ordem da rainha Elizabeth uma oportunidade de adquirir mais títulos e respeitabilidade na corte.

Todo esse 'background' é real. Bess realmente foi uma das mulheres mais proeminentes e poderosas de sua época abaixo da própria rainha, e não teve o reconhecimento que merecia por ser mulher. George era mesmo um bocó, e assim como no livro, há fortes indícios de que tenha se apaixonado pela jovem rainha cativa.

Do incio ao fim temos planos e mais planos de fuga, de rebelião, de assassinato, de invasão, de traição. Ninguém confia em ninguém, aquele que é seu amigo de infância hoje pode se tornar o responsável por sua prisão no dia seguinte e até os espiões tinham espiões em sua cola. 

Mary sendo católica, rainha-viúva de França, rainha de Escócia e descendente direta de Henry VIII, era a maior ameaça ao trono da rainha protestante. Para piorar tinha apoio da Espanha e do próprio papa que queria ver a Inglaterra voltar à verdadeira fé. E o maior inimigo de Mary foi ela mesma. 

No livro a vemos como uma mulher jovem de 26 anos que tinha ciência de sua beleza, e que por ser Rainha ungida tanto em França como em Escócia, achava que estava acima do bem e do mal e que não importaria o que fizesse, estaria salva. Esse foi seu erro. Ela se torna descuidada, abusiva, descontrolada e ao meu ver, sua crença a levou a loucura. Só uma mulher sem controle de suas faculdades mentais faria o tipo de coisas que ela fez sem temer nada.

Achei interessante como a minha opinião sobre os personagens mudou durante a leitura, a única constante que eu tive foi Cecil e Elizabeth. Ventríloquo e marionete. Os demais, sejam católicos ou protestante me fizeram mudar minha 'lealdade'. Mesmo sabendo que não aconteceu eu me vi torcendo para que Mary conseguisse escapar, mas depois de um tempo eu torcia para que as cartas fossem interceptadas e ela sofresse logo alguma consequência.

Mary passou 19 anos como prisioneira em terras inglesas. Durante esses anos ela foi de grande preferida dos católicos de toda a Europa, seu rosto era simbolo da esperança de tirar os protestantes do trono, à uma puta traiçoeira e sem palavra. Antes era vista como divina, e no fim como ameaça a integridade da Inglaterra como nação.

A maneira como Gregory desenvolve e conecta os acontecimentos que tem realmente registro histórico torna viável e acreditável essa mudança. Ao mandar matar Mary, Elizabeth poderia muito bem ter incitado uma rebelião interna, mas o que vemos nos registros é uma população unida por algo mais importante: nem católicos nem protestantes queriam espanhóis em território inglês. Ninguém estava a salvo da inquisição caso o rei Felipe começasse a dar pitaco na ilha.

Creio também que no fim, todos tenham entendido o porque da necessidade de matá-la. Ela tinha o perfil de uma potencial tirana, já que não aceitava ordens de ninguém, era volátil pois sua palavra não era confiável. E nunca assumia responsabilidade. Ela sempre sabia de tudo, mas na hora que dava errado se fazia de coitada e fingia nada saber. 

Outra resolução que tive foi de que a Rainha Elizabeth foi escolhida por força divina para estar a frente do país. Entre seu nascimento e a morte de Mary Stuart ela sofreu mais reveses que qualquer outro membro de família real no mundo e mesmo assim, morreu só aos 70 anos. Com ela acabou a Dinastia Tudor e também o basckstabbing entre familiares. A decisão de não se casar nem ter filhos foi sábia, caso contrário até hoje teríamos membros dos Tudors se enfrentando pelo direito divino de ser coroado. 

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