14 de julho de 2015

RESENHA: Passarinha - Kathryn Erskine



MARATONA LITERÁRIA DE INVERNO 03/10
MARATONA LITERÁRIA 4.0 - 02/04

Passarinha - Kathryn Erskine

Apaixonante. Uma história incrível, verossímil, que me fez descobrir aspectos da minha própria vida que em 30 anos não tinha sido capaz de CAPTAR O SENTIDO. A tradutora fez um trabalho incrível ao adaptar essa história maravilhosa para nossa língua. Mas definitivamente deve ser uma experiência ainda mais interessante ler no original.

Essa leitura me fez pensar em como eu reajo às adversidades. Em como encaro as diferenças. Me identifiquei com Caitlin em diversos aspectos e sei como é difícil a adaptação ao mundo quando se é diferente. Qualquer um que fuja, mesmo que apenas uns milímetros, do que é visto como normal sofre bastante para achar seu lugar ao sol.

Amei o paralelo que a autora fez com 'O Sol é para Todos'. Livro que já estava na minha lista de leitura desse ano mas que talvez pule na pilha. Me fez querer ver o filme. Na verdade não lembro se assisti ou se é daqueles que de tanto falarem você fica com a impressão de ter visto.

A maior impressão que tive foi que por muitas vezes nós queremos que os outros se ponham no nosso lugar mas nós mesmos não fazemos isso. Todo mundo à volta de Caitlin repetia constantemente que ela deveria pensar em como as outras pessoas se sentem em determinadas situações e a partir daí analisar o que deve falar e/ou fazer. Mas em nenhum momento os outros se colocam no lugar dela. 

Ao chamarem ela de esquisita e rirem das dificuldades que ela apresenta em entender coisas simples para as pessoas em geral, eles (tanto crianças quanto adultos) estão fazendo exatamente o que pedem tanto que ela não faça. Falar sem pensar.

A perda do irmão e como ela lida com isso também foi incrível. Acaba que essa menina de 10 anos lida melhor com a falta do irmão que os outros lidam com a perda de entes queridos. Para muitos pode ficar a impressão de insensibilidade. Ela claramente sofre com essa realidade, mas tem dificuldades em nomear e explicar suas internalizações e consequentemente a explicar suas reações por inteiro. O que está claro para ela não está para os outros e vice-versa. A diferença é que ela é cobrada o tempo todo a se adequar e compreender, os 'normais' não.

O Massacre de Virginia Tech, ocorrido em 16 de abril de 2007, que inspirou a autora a escrever, teve uma das vítimas chamada Caitlin. Não se é uma homenagem ou se há algum outo significado. Mas me chamou a atenção. Se alguém souber mais coisas, avise. Também me fez lembrar de nosso próprio massacre, recente ainda. em 7 de abril de 2011, nós brasileiros passamos por uma das piores tragédias que pode se testemunhar. 

Enfim, é um livro lindo que me levou às lágrimas em vários momentos e me proporcionou autoconhecimento. Definitivamente mais pessoas deveriam investir seu tempo nesta leitura.



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