8 de julho de 2015

RESENHA: Paisagens da Metrópole da Morte - Otto Dov Kulka


MARATONA LITERÁRIA DE INVERNO
01/10

Paisagens da Metrópole da Morte - Otto Dov Kulka

Expurgo. Foi essa a palavra que mais ressoou na minha cabeça durante a leitura. É um livro denso e por isso, apesar de ter apenas 160 páginas e várias imagens, foi lido aos poucos, com pausas para respirar e absorver o que estava escrito.

Kulka é um historiador e sobrevivente do Holocausto e nos traz uma coletânea de memórias e imagens do que foi Auschwitz - Birkenau. Ele é tcheco e foi deportado primeiro para Theresienstadt e depois para Auschwitz onde ficou no polêmico campo das famílias.

Estava acostumada a relatos feitos com base em diários e lembranças infantis. Mas raramente eu vislumbrava o que a experiência fez com o adulto que é produto do crescimento desses meninos e meninas. Mas é isso que ocorre aqui.

O autor explica o quanto tentou ignorar o tema, e simplesmente seguir vivendo. Mas houve um momento que a necessidade de lidar com aquilo falou mais alto. Ao longo das páginas ele nos relata como foi as visitas que fez a Birkenau logo depois da guerra e anos mais tarde já como historiador. Eu enquanto li tive uma experiência quase sensorial. Já no apêndice ele nos agracia com um conciso e coeso relato do que significou Theresienstadt para o 3º Reich.

Chorei em algumas passagens com as histórias de momentos vividos no campo. Mas não contadas pelos olhos de um menino, mas de uma homem que ainda é atordoado por isso. O caráter de discurso falado contribui para certas sensações que se tem durante a leitura. O livro originou-se de gravações dele e algumas passagens do diário escrito. 

Um relato triste, doloroso, mas necessário. Durante todas as passagens ele fala sobre algo que denominou de Lei Imutável da Grande Morte. Todos os judeus que iam para os campos sabiam que uma coisa era certa e imutável: a morte. Não importava o que fosse feito por eles, em algum momento, próximo ou distante será pego por essa lei.

Minha passagem preferida deu-se à página 81 quando narra a última vez que ele viu a mãe, como ela estava em suas roupas cinzas, andando altiva e sem olhar para trás, rumo ao que ele julgou quando menino à sua Grande Morte. Mais tarde ele descobre o que houve com ela depois daquele encontro e eu toda sensível, claro que chorei copiosamente.

Como esse foi avaliado como o maior livro sobre Auschwitz desde Primo Levi, nem preciso dizer ue vou lê-lo assim que puder. 

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