20 de julho de 2015

RESENHA: O Príncipe dos Canalhas - Loretta Chase (Canalhas #3)


MARATONA LITERÁRIA DE INVERNO 2015 - 07/10

O Príncipe dos Canalhas - Loretta Chase

Original. Sim, é um romance histórico, temos um solteirão convicto e uma solteira convicta o que poderia ser considerado um clichê, MAS, Loretta Chase consegue conduzir os nossos protagonistas em situações bem inusitadas e em alguns momentos hilários.

Lord Dain tem o perfil aparente de um perfeito antagonista, mas se mostra adorável, apaixonante. Ele é um brutamontes mas não é forçado em nenhum aspecto, ele consegue dominar sem ser dominante o tempo todo. A relação dele com a Jess é uma parceria um tanto a frente do seu tempo.

Jessica por sua vez, apesar de declarar aos 4 ventos que não quer se casar e por isso não está atrás de pretendentes, se rende ao casamento mas sem o declínio desesperado de algumas mocinhas que param de pensar assim que se apaixonam. Ela continua a medir todas as suas ações e a manter suas posições e convicções apesar da sinuca de bico em que se vê presa. 

Nenhum dos dois passa por situações extremas para que o outro se adapte a algum aspecto de suas personalidades. Tudo acontece naturalmente. Também não epifanias vindas do além causadas por um tempo separados como acontece tanto em romances do gênero. Dain percebe que não pode viver sem Jess e vice-versa através das conversas e momentos que eles passam juntos.

Adorei o fato de o nosso Lord da vez ser feio, e a autora sempre nos lembrar disso. Aliás eu ri muito com algumas descrições feitas pelos personagens, os apelidos e nomes são ótimos. Ambos os personagens me surpreenderam positivamente. Eles não são o clássico par de opostos que se atraem e se descobrem perfeitos um para o outro. Na verdade eles são assustadoramente parecidos em todos os aspectos que não envolvem aparência. Ela é a bela e ele a fera. 

Porém ela tem rompantes de raiva e toma decisões bem práticas e analíticas sem ponderar muito acerca da questão 'emocional' envolvida no problema, e ele tem momentos de graciosidade, inocência e fragilidade que não se espera de um tanque de guerra como ele. Essa característica cíclica dos personagens (inclusive os coadjuvantes) garante que os capítulos desse romance sejam repletos de boas histórias, sem espaço para encheções de linguiça. 

Dain não chega ao final do livro como um canalha reformado ou um garanhão domado. Tudo que o faz ser temido e digno desse título continua lá no fim da história. A diferença é que ele agora direciona esse lado para os aspectos da vida que merecem e precisam de uma postura assim. Ele apenas descobre que amar e ser amado não significa ser menos viril. Acho que é isso que faz com que ele apesar dos defeitos ainda tem tudo o que precisa ter um protagonista cativante e digno de povoar a mente de nós leitoras românticas sem remédio.

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