9 de março de 2015

RESENHA: O Diário de Helga - Helga Weiss


RC 2015 - Livro de Autobiografia / Memórias

O Diário de Helga - Helga Weiss

Denso. Apesar de ser um relato das experiências de uma criança/adolescente durante a guerra, a autora revisou o diário escrito em Terezin depois da guerra e toda a parte depois do transporte para Auschwitz foi desenvolvida depois.

O que vi nesse diário foram detalhes que a visão infantil dos outros deixavam de fora e também um apego extremo dela em relação à mãe. Ela era uma garota extremamente sensata em vários momentos, mas quando a mãe entrava em cena se punha em risco. 

Mais uma vez somos transportados para o L410 mas dessa vez no quarto 24. Ou seja, elas estavam tão perto das meninas do quarto 28 que li na expectativa de talvez vislumbrar uma delas. Mas mesmo estando perto, achei que as diferenças eram gritantes. Por exemplo, nesse quarto as meninas tinham a cama só para elas, enquanto em outros eram 2 ou 3 meninas por cama.

Um diferencial é a quantidade de imagens, desenhos feitos por ela que permeiam todo o conteúdo. Ela em sua estada em Terezin fez desenhos mostrando situações costumeiras e momentos durante a preparação da família para o transporte. Meu preferido foi o que ela fez para a amiga Francka, de como seria quando elas se encontrassem no futuro, depois da guerra.

Francka e Helga nasceram na mesma ala da maternidade.

Havia uma ignorância acerca do que acontecia em outros lugares, Helga só tomou conhecimento das câmaras de gás quando chegou em Auschwitz. O que faz com que as pessoas que conseguiram permanecer lá até o fim da guerra só souberam desses aspecto depois. Se nem quem estava no epicentro dessa confusão sabia, imagina as pessoas de fora. 

Fila para comer.

Outro ponto fascinante nesse relato é a grande diferença de tratamento que os judeus receberam em campos diferentes. Helga chega a essa conclusão com o tempo. Campos de trabalho, concentração e guetos. Quem se manteve nos guetos teve chances superiores de sobrevivência. Nos de trabalho a violência psicológica era um dos maiores problemas. O trabalho era pesado, mas muitos conseguiam se manter nas fábricas e tinham um teto e havia uma pequena conspiração para retardar o término do serviço.

Visita da Cruz Vermelha. O espetáculo foi montado.

Helga não se atém aos problemas da guerra em si, mas nos mostra como foi complicado para os judeus se inserir na sociedade depois. Foram meses, anos pulando de abrigos em abrigos e dependendo da boa vontade de estranhos para comer e ter onde descansar e se restabelecer em todos os sentidos. Levou anos para que ela e mãe conseguissem o apartamento deles de volta. Infelizmente não há registros sobre o que aconteceu com seu pai ao sair de Terezin, apenas especulações.

Eu perdi o meu livro físico. Se realmente não o achar vou comprar outro. Vale a pena.

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