6 de março de 2015

RESENHA: É Hora de Falar - Helen Lewis

É Hora de Falar - Helen Lewis

A dança salvou sua vida. Mais de uma vez. Em 'É Hora de Falar', Helen nos conta como foi sua vida antes da chegada de Hitler à Checoslováquia, e os anos passados em inúmeros Campos de Concentração.

Fiquei impressionada com a narrativa. Ela e o marido foram ingênuos no início da guerra, mas também pudera, mal tinham entrado nos 20. Seu primeiro destino foi Terezin, e lá ela teve seu primeiro golpe de sorte. Fosse acaso ou ousadia, essa mulher teve sorte. Soube aproveitar oportunidades sem titubear e isso a manteve viva.

Durante toda a guerra ela teve: apendicite, seus pés quase ficaram necrosados e teve febre tifoide. Em momentos de fraqueza extrema encontrou soldados da SS que poderiam tê-la executado mas não o fizeram, conheceu alguns oficiais gentis, fazendeiros que poderiam tê-la denunciado mas não o fizeram. Tudo que poderia ter um fim trágico ela vislumbrou, mas por obra divina, destino ou sorte, ela sobreviveu para contar.

Diva.
Mais de uma vez durante o período sua vocação e profissão de dançarina a salvaram. Aparentemente os nazistas gostavam de arte. E quando alguém era bom no que fazia acabava sendo poupado da raiva. Ela dançou Copélia em um campo de concentração e foi aplaudida. Somente um grande artista conseguiria essa proeza. Vencer a fome, a desnutrição, o frio, a fraqueza e dançar com leveza, suavidade, sorrisos.

Ao longo da linha férrea ela foi perdendo a mãe, o marido, os sogros, os amigos. Mas não desistiu, não se rendeu. Poupou energia e se esforçou quando necessário, era dona de um senso extremo. 

Ao fim da guerra mais uma vez sentiu que o perigo ainda não havia terminado e contra recomendações médicas se aventurou por uma longa viagem que duraria mais de 50 dias de trem do campo de Stutthof na Polônia até Praga - Checoslováquia. São mais de 780 Km. Doente. Chegou ao seu destino salva. Essa mulher incrível falaceu em 31 de dezembro de 2009 aos 93 anos. Uma vida longa e plena, mais que merecida. Obrigada por seu legado Ljena.


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