8 de fevereiro de 2015

RESENHA: As Meninas do Quarto 28 - Hannelore Brenner


RC 2015 - Livro com número no título

As Meninas do Quarto 28 - Hannelore Brenner

Necessário. Senti dor, angústia, tristeza, desespero, repulsa, raiva e compaixão. Em alguns momentos tive vontade de atravessar as páginas do livro e abraçar essas pessoas. As meninas do quarto 28 é um relato feito com base nos diários e lembranças das poucas sobreviventes do Quarto 28 do prédio L410 de Theresienstadt.

Foi sem dúvida um dos mais completos e abrangentes relatos que já li. Com diversas descrições desde a 'convocação' até a libertação. Sem embelezamento do sofrimento. Este campo em particular foi o mais ameno dos que li sobre pois as crianças tinham um mínimo de normalidade, mas ainda sim foi cheio de crueldade, fome, doenças, medo e morte com uma dose alta de falsidade e mentiras. É o tipo de relato que faz com que você tenha vergonha se tiver qualquer relação de parentesco, mesmo que super distante de algum partidário nazista. 

Essa foto me fez chorar, encolher-me na cama e me sentir um trapo.
Lea não sobreviveu à Guerra. Prova da crueldade sem propósito da SS.
Que mal um bebê poderia fazer a alguém?


O livro acompanha essas meninas aonde vão, portanto vemos relatos de suas estadas em outros campos quando eram selecionadas para o temido 'transporte'. Temos então vislumbres desconcertantes por exemplo de Auschwitz e Bergen-Belsen (o pior de todos ao meu ver) e de outros tantos que me fizeram ter náuseas de pensar na quantidade absurda de campos construídos apenas para dizimar os outros. Espero que Hitler e seus comparsas fiquem para sempre no limbo. Nem o inferno merece almas como essas.

Desenho de um dos inúmeros gênios perdidos.

Durante a leitura, sempre que os meninos do L417 eram mencionados eu lembrava de George Brady, o irmão de Hana (A Mala de Hana) e ficava imaginando se as meninas do quarto 28 conheceram-no e a menina. No fim a surpresa, sim, George Brady estava entre eles. Sorri. Pelo que elas contam havia uma cumplicidade entre esses meninos assim como havia entre elas, então apesar de ter perdido a irmã, ele teve companhia e amizade durante os anos de provação.

Li através de ebook, mas quero o físico. Quero ver as imagens, tocar nelas, guardar as páginas e ter o máximo de gente podendo ler. A edição brasileira trouxe um adendo no início que não existia no original. Acontece que a meia-irmã de uma das meninas do Quarto 28 que não sobreviveu, mora no Brasil. Monika Zolko é a irmã de Erika Stránská. Por isso recomendo que mantenham os lencinhos por perto desde o início da leitura.


Acho que preciso de um romance histórico pra me trazer de volta ao eixo. Mas minha saga 2015 'Holocausto' ainda não terminou. Preciso saber mais.





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