20 de janeiro de 2015

RESENHA - Tempo de Boas Preces - Yiyun Li


RC 2015 - Livro de Contos

Tempo de Boas Preces - Yiyun Li

Ganhei esse livro em um AS ano passado. São 10 contos incríveis escritos por esta autora chinesa de 42 anos. Sempre gostei da narrativa chinesa, portanto confiei no título e origem da autora, mesmo nunca tendo lido nada dela antes. Apesar de se passarem quase todos na China (há dois nos EUA), essas histórias poderiam acontecer em qualquer família, em qualquer lugar. 

Meu conto preferido é o último que da nome ao livro no original: Mil Anos de Boas Preces. O personagem principal é um senhor chinês de 75 anos que vai visitar a filha recém-divorciada nos Estados Unidos. Lá ele passa as tardes conversando com uma iraniana que assim como ele não fala bem inglês mas mesmo assim a conversa flui e faz bem aos dois. Sua filha não conversa com ele, ele não sabe o motivo do divórcio e a cada tentativa de aproximação, a filha o rechaça. Este conto em meio às suas 20 páginas é cheio de ensinamentos e reflexões que servem tanto para ocidentais como para orientais. O que estamos fazendo com nossas vidas?

Dentre os contos há temas nada tranquilos como: homossexualismo, fé (na igreja ou no partido), gravidez indesejada, infidelidade, preconceito social, doenças que exigem um comprometimento total dos familiares, entre outros. Outro que gostei muito foi o conto de nome 'O Filho'. A história desse rapaz pode estar acontecendo bem ao seu lado. Ele é um rapaz bem-sucedido no trabalho e financeiramente, mas por ser homossexual sabe que nunca vai poder dar à mãe o que ela quer. A mãe por sua vez, depois de enviuvar, mergulhou de cabeça na igreja (que antes condenava) e agora repete tudo o que o pastor diz, Para o filho é quase como se ela não conseguisse pensar por si mesma.

Em suma, são contos bem atuais apesar de alguns se passarem em décadas passadas. Mesmo sendo um livro curto (236p.) é uma jornada para ser feita com calma, para que cada história tenha tempo de ser absorvida. Nos faz pensar. Não é livro para passar o tempo, mas sim para refletir.


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