17 de janeiro de 2015

RESENHA: A Casa das Orquídeas - Lucinda Riley


RC 2015 - Um livro com mais de 500 páginas
Desafio Loucas por Livros e Esmaltes 2015 - Laranja + Flores ou Comida.

Confesso que fiquei com medo desse pequeno tijolo. Fazia um tempo que não lia livros grandes, mas esse foi uma surpresa mega-agradável. Esse é meu primeiro livro da autora e amei. Um dos meus preferidos nos últimos tempos.

A história não é linear, Vai e volta no tempo, nos dividimos entre os dias atuais e o período pré e pós-guerra (1938-1947). Além de claro sermos levados à diferentes locais pelo globo: Inglaterra, França e Tailândia. A cada pedaço nos aproximamos de um dos personagens, que sem saber estão todos interligados. Como um romance deve ser. 

Dentre as personagens femininas dividi meu afeto entre Elsie e Lídia, e por um instante torci por Olívia. As duas primeiras foram fortes dentro de suas culturas e personalidades, não baixaram a cabeça e não desistiram de seus sonhos.

Entre os personagens masculinos me vi querendo um pedacinho de cada para mim. Bill é o rapaz que toda moça sonha no início de sua juventude; bonito, forte, trabalhador, dedicado e apaixonado. Sua devoção à Elsie e lealdade ao patrão e amigo Harry são invejáveis. Harry por sua vez, apesar dos percalços que a vida impôs se mostrou ser um homem honrado. Poderia ter largado suas obrigações familiares e seguido seu coração mas optou por trilhar o caminho correto, e ao ler o livro se vê que não foi o mais fácil, mesmo que pareça assim à princípio. E temos Kit. Ele esteve ao lado de Julia o tempo todo, se expôs e correu riscos, não teve medo frente às incertezas e bem.... amei ele.

Julia em tese é a personagem principal, tudo leva a ela em algum momento. mas ela não me encantou. Apesar de todo o sofrimento que a personagem teve em seu passado, ela não me tocou como os outros. Chorei com Elsie, com Lidia, com Olívia, com Harry, com Bill e até com Alícia. Mas não com ela. 

Enfim, é um livro lindo, intenso, com uma história complexa e muito bem delineada, escrita e desenvolvida. Lucinda Riley escreve com domínio e fica claro que houve pesquisa e empenho. Ela sabe do que fala. Terminei a leitura com 7 post-its pelo livro. Me identifiquei com algumas passagens, lembrei de minhas avós que por acaso têm ou teriam a mesma idade das avós que aparecem. 

George, pai de Júlia diz em um momento: "(...) em algum momento,você supera a parte mais difícil. (...) você acorda um dia e a escuridão não é tão escura quanto antes (...) (p.70) Se trata da perda de entes queridos. O que a morte faz com os vivos.

Até meu amado William Blake é citado no livro. Essa é outra coisa que me agradou muito, como obras literárias são mencionadas com certa frequência. (Fazendo nossa lista de leitura crescer sempre.)

Para finalizar, palavras de Lídia: "(...) tudo é possível. E a gente deve olhar para o futuro e confiar em Deus.qualquer deus, para nos guiar. (...) (p. 544)



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