6 de dezembro de 2014

RESENHA: A última carta de amor - Jojo Moyes


Desafio Literário do Tigre
10/12 - Amor

A última carta de amor - Jojo Moyes

Comecei a leitura desmotivada. Imaginei que seria daqueles livros que você lê com esforço descomunal. Ellie não é uma personagem muito legal no início, petulante, chata.

Comecei a mergulhar mesmo quando ela acha a primeira carta. Tive a mesma reação que ela: Será que um dia terei sido amada como o destinatário dessa carta? Logo em seguida somos transportados para a Inglaterra de 1960.

Nem preciso dizer muito, já vimos tanto esse cenário em filmes e séries. É simplesmente arrebatador. Jennifer Stirling tem tudo para ser mais uma esposa troféu, e fica claro que tinha se conformado com esse destino ao se casar com Laurence, um ricaço, metido à besta e alguns anos mais velho que ela. Sua esposa loura e perfeita.

Pelo menos era. Até conhecer Boot. O personagem ganha esse apelido por conta de um livro de Evelyn Waugh - Scoop ( No Brasil: O Furo). Uma paixão avalassadora, arrebatadora e claro, proibida e imoral para os costumes da época. Que mulher decente se envolveria com um homem estando casada?

(...)
- Você é uma puta - disse ele. (Marido de Jenny)
- Com você, eu fui - disse ela calmamente. - Devo ter sido, porque certamente não fazia aquilo por amor. 
(...) (p.231)

Jenny me ganhou aí. Go girl! 

Aqueles que compõem o círculo social de Jenny são totalmente dispensáveis, nenhum deles chama a atenção, talvez a única que valeria a pena 'saber mais' é a Sra. Cordoza. Gostaria de saber o que aconteceu a ela e sua família antes de ir trabalhar na casa dos Stirling. No lado de Boot gostei muito de Don, apesar de ter querido bater nele por causa de algumas coisas, e de Felipe. 

Nos dias atuais queria que Jojo tivesse explorado mais o relacionamento de Ellie com Rory. Quado ela o conhece, começa a mudar minha opinião sobre ela. Ela começa a ter mais amor-próprio e se centrar mais. Até então ela vivia através dessas cartas que encontrou. Se perdeu na vida. Muitas vezes fazemos o mesmo sem perceber. Me identifiquei com ela e com suas burradas. Esse quote é o exemplo mais curto. Mas nossa! Como eu li situações em que podia me imaginar passando, dizendo, fazendo:

(...)
- Está bebendo? - Ele faz um sinal para um garçom ao ver o copo dela vazio.
- Vinho Branco. - Ela não queria mais: está tentando diminuir, mas agora que ele está aqui ela sente aqueles nós no estômago que só o álcool pode aliviar.
(...) (pp. 239 - 240)


Devorei as últimas 100 páginas pois era uma NECESSIDADE saber o que acontecera ao casal apaixonado de 1960. Quando eu estava quase me conformando com minha primeira teoria sobre o destino deles, Jojo me dá um tapa na cara e me mostra que eu não estava prestando atenção na leitura. 

Choro, angústia, sorriso, risos, esperança, dor... São inúmeros os sentimentos que se experimenta com esse livro. Recomendo (com uma caixa de lencinhos ao lado para os mais sensíveis.).

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