2 de dezembro de 2014

RESENHA: Noah Foge de Casa - John Boyne

Leitura Extra
30/2014

Noah Foge de Casa - John Boyne

Uma graça. Talvez eu tenha gostado tanto por não ter lido sinopses e resenhas antes. Além do nome do livro e da confiança no autor, nada sabia sobre a história. 

Esse livro é algo ao mesmo tempo diferente e parecido com outras obras que tive contato. Tive um misto de sensações ao longo dos capítulos e lembrei de vários momentos da minha vida literária enquanto criança. Como se eu encontrasse com vários autores numa viagem inesperada. O caráter lúdico do desenrolar da história é outro fator importante aqui.

Noah é um menino muito corajoso e decidido. Dotado de uma inocência própria de uma criança. Fiquei encantada com a personalidade desse pequeno viajante. Sua mãe é demais. As poucas passagens em que ela surge, fruto da memória dele, são cheias de mensagens discretas e momentos familiares que creio que remetam a qualquer leitor. É a visão de uma criança de 8 anos tem, e que todos tivemos.

(...)
- Então vamos?
- Não - respondeu sua mãe.
- E por que não?
- Porque não podemos.
- E por que não podemos?
- Porque eu disse que não.
- E por que você disse que não?
- Porque não é possível agora.
- E por que não é possível agora?
- Por que não é!
- Isso não é resposta!
- Pois é a única resposta que você vai ouvir, Noah Barleywater.
(...) (p. 95)

Quem nunca teve um diálogo desse com um adulto quando era criança?

Fala talvez, ao menos para mim, de momentos preciosos em nossa infância que não damos valor, não prestamos atenção, ou não ligamos mas que de alguma forma, marcaram nossas vidas. Quem nunca se pegou lembrando de algo que fizera anos antes, ou de algo que acontecera e que só então se dera conta de como isso mudou você?

O velho, que só no final eu me dei conta de quem era, foi um personagem incrível, sua loja de brinquedos me lembrou um pouco A Casa do Louco das histórias do Cebolinha, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Mary Poppins. Pode parecer loucura, mas foi isso que senti.

(...)
- O senhor chegou a tempo lá, quando recebeu a carta dizendo que seu pai estava doente? Chegou antes que ele... antes que alguma coisa...
- Antes que ele morresse? - perguntou o velho. - Como é garoto? Você não consegue dizer essa palavra? É só uma palavra, sabe? Só um grupo de letras reunidas numa ordem qualquer. A palavra não é nada comparada com o que significa. (...) (p.157)

Preciso mencionar também, o burro e o salsichinha. Super carismáticos, assim como Henrietta. Me peguei imaginando como seria uma adaptação desses personagens para o cinema. Enfim um amor de história.

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