13 de novembro de 2014

RESENHA: A Filha da Herege - Kathleen Kent



DESAFIO LITERÁRIO DO SKOOB
08/12 - Livro sobre bruxas

A Filha da Herege - Kathleen Kent

Uma abordagem diferente de um acontecimento histórico já bem batido pela mídia. A caça às bruxas em Salém, nos Estados Unidos é conhecida por todos, ou assim creio eu. Kent consegue se diferenciar dos relatos, documentários, livros e filmes que tive contato por escolher uma narrativa pelo ponto de vista de alguém de fora dessa cidade que por obra do destino se vê até o pescoço envolvida nessa tragédia.

Sarah Chapman, ao saber do casamento da neta, escreve uma carta contando a verdade sobre sua família. Acompanhamos Sarah ao longo de alguns anos, e a vemos se transformar de uma menina ingênua e insensata em uma jovem corajosa e forte. Achei intrigante como cada personagem, mesmo os que quase não aparecem a não ser que citados pela menina vão se modificando ao longo das páginas. 

Lembro de no início do livro pensar em Martha Carrier como uma mãe rígida, fria e controladora, pois este é o jeito que a filha a via. Mas ao longo da leitura vamos conhecendo melhor essa mulher e vemos que ela, na verdade, é um exemplo de força e veemência. Muitos a encarariam, tanto em 1690 como agora, como uma mulher estúpida e teimosa. Mas não para mim. Me apaixonei por essa mãe que se mostrou firme em suas convicções e fez o que estava ao seu alcance para proteger a família.

O pai de Sarah, com seu passado obscuro, nos deixa o tempo todo com a pulga atrás da orelha, quem é esse homem, o que ele fez, por que ele age da maneira que é apresentada no livro, duelei por vezes com isso, juntamente com Sarah em seu relato, e só no fim eu entendi, ou acho que entendi, o porquê de ele ser como é. Os irmãos se mostram ser totalmente diferentes do esperado para cada um, talvez pela pressão imposta pela sociedade da época.

Como a família Carrier está em outro vilarejo e não em Salém, todos aqueles nomes batidos e que podemos ver hoje na série homônima a cidade, Salém, acabam se tornando pano de fundo. Os nomes são citados para dar coerência ao momento retratado, mas vemos tudo por outros olhos. Não temos uma bruxa de verdade fazendo suas maldades, meninas enlouquecidas acusando quem passa na frente, mas vemos o outro montante dos acusados. Aqueles que eram inocentes e acabaram nos julgamentos por conta de picuinhas e disputas entre vizinhos e famílias. 

Martha Carrier era uma mulher a frente de seu tempo, não abaixava a cabeça para homem nenhum e por isso era odiada por eles e pelas mulheres que por certo a invejavam. Isso juntamente com o passado nebuloso do marido fizeram com que ela se tornasse a candidata perfeita a ser julgada e condenada à forca.

Sarah recebe um livro vermelho de sua mãe, dias antes de esta ser presa, e mesmo não mencionando-o todo o tempo, eu fiquei por toda a leitura imaginando o que ele realmente continha, qual era a história toda por trás da necessidade de mantê-lo escondido e em segredo, e confesso que mesmo depois de terminar a leitura, não sei bem se captei toda a essência do que ele continha, ou se foi proposital essa dúvida ter permanecido.

Para finalizar, a maneira como Kathleen Kent descreve o ambiente, as roupas, a comida, os costumes, realmente nos transporta para Andover e arredores. Houve passagens em que eu senti como se eu estivesse suja e maltrapilha como Sarah e seus irmãos. Angustiante. Ponto positivo para a leitura.

Recomendadíssimo.

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