17 de janeiro de 2014

RESENHA: Memórias de Uma Gueixa - Arthur Golden


Desafio Literário do Tigre
01/12 - Na estante

Memórias de Uma Gueixa - Arthur Golden

Tendo sido o primeiro livro que troquei no Skoob, achei a escolha ideal para esse mês desse desafio. O engraçado é que apesar de ter assistido o filme, nada me lembrava dele enquanto lia. Vou ter que assisti novamente. Não sei se era por estar ansiosa pela leitura, mas desenvolvi uma relação de amor e ódio com esse livro. O autor definitivamente soube desenvolver muito bem a personagem cíclica que é Chiyo/Sayuri. Devo a isso essa conflitante reação à história.

Nos primeiros capítulos, quando conhecemos a protagonista ainda criança eu a achei ingênua mas bastante determinada se tratando de uma menina de 9 anos. A irmã ao contrário é uma parva que se eu encontrasse na minha frente teria sacudido a garota e dado uns tapas.

As atitudes da menina dentro do Okiya após sua chegada me deixaram nervosa. Tinha algo nela que me incomodava e com o passar dos capítulos vi que era essa volatilidade dela. Mas nada disse é por acaso, afinal, como dizem várias vezes no livro, a menina 'tem água demais'. Quando se resigna com seu destino e resolve se dedicar a ser uma gueixa de primeira linha, passei a gostar mais dela. Tanto que meu comentário no histórico de leitura foi o seguinte:

"Retiro o que disse sobre Chiyo. A personagem evoluiu de forma impressionante e sutil. A criança chata se transformou em uma jovem inteligente, audaciosa mas consciente. Dá para vislumbrar a gueixa que ela pode se tornar. Mameha é definitivamente minha personagem favorita." (Histórico de leitura do Skoob - 13/01)
Assim que Mameha entra de vez na vida da agora adolescente Chiyo, ela se torna minha personagem favorita. Uma mulher forte, determinada, destemida e consciente de sua situação. Sabe o que é necessário ser feito e não tem medo de fazer o que julga necessário para chegar ao que deseja. Mesmo que demore. Paciência é uma virtude. Já Chiyo que agora se torna Sayuri começa a ter uns episódios que me enlouquecem. 

"Sayuri é tão volátil que me espanta. Ora parece uma mulher, ora uma criança." (Histórico de Leitura do Skoob - 16/01)

 No início eu achava que ela seria uma gueixa como sua irmã mais velha Mameha, mas não, ela meio que vê a vida passar e fica esperando que as coisas e os outros resolvam tudo por ela, ao estilo 'se tiver que ser será'. Fica sonhando acordada lembrando do encontro com o Presidente, e quando o reencontra, já como Gueixa Aprendiz, eu achei que ela mostraria essa água que tem dentro de si e daria o primeiro passo na conversa, mas não. Se deixa levar pela conversa de Nobu, e segue tudo o que Mameha planejava à risca.

Os anos passam e ela vai se deixando levar e faz umas burradas que me espantam, mas mesmo assim insisti na leitura, queria saber no que isso ia dar. Valeu a pena afinal. Há males que vem para o bem, e apesar de eu condenar a decisão que ela toma de fazer Nobu esquece-la, acabou dando certo. Confesso que me surpreendi com a atitude que o Presidente tomou, e o capítulo em que os dois conversam na Casa de Chá, quando ele confessa que sabia quem ela era todos esses anos e os motivos de ter agido como agiu e se distanciado, me senti como uma adolescente. 

Acabou que a minha parte favorita foi o final. Todas as conclusões que a personagem chega são válidas e valiosas para se trazer para o lado de cá. Concluí que preciso rever o filme o quanto antes para ver como reajo dessa vez. Lembro de que ao terminar de assistir, fiquei com uma sensação de vazio. Fiquei com a impressão de que faltava algo, de que precisava saber mais sobre essa Gueixa misteriosa e de olhos tão diferentes. Enfim, foi bom visitar o Japão mais uma vez. 

Só preciso agradecer à Tati pela ideia do desafio e me ajudar a diminuir a lista de livros não lidos na minha estante. Muito Obrigada!


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